1 de mar de 2013

O Kama Sutra de Chaulukia



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A ordem chegou  há alguns meses num papel duma qualidade luxuosa. Deduzir que o conteúdo era de extrema importância, pois as cartas cujas ordens são importantíssimas costumam ser adornadas com os mais diversos símbolos, entre  eles o brasão do Império Britânico. Abri-a. Nela estava escrito:


“Caros Bibliotecários da Índia Britânica,
Enviem para a The British Library, em Londres, cópias dos manuscritos em sânscritos do livro do sábio Vatsyayana para que possamos traduzir essa obra para o idioma Britânico e publicá-la em livro ”


Sir Richard Burton  



Consul do Império Britânico em Fernando Pó. 



Fechei a carta novamente e mandei para o seu destinatário. Tive frio, febre e temor, mas ao mesmo tempo jubilo com a oportunidade que batera em minha porta. O notário membro da corte do Império solicitara aos bibliotecários das Índias um trabalho de Fausto. Passados alguns meses eles reuniram cópias de Benares, Calcutá e Jaipur. Cada localidade com seus pergaminhos feitos por escribas de gerações diferentes. A Índia mudara tanto diante da paralisia do Universo. Há as nuances de estilo e modo da língua de cada época que uma cópia foi feita afim de torna acessível a geração atual o que a outra deixara.



Agora vejo as partes deterioradas do texto do sábio Vatsyayana em silêncio, algo de sua sabedoria deteriorara? Não importa. Enviarei a esse senhor Inglês a cópia da cópia copiada. Tal intendo parece-me mesmo uma obra de Demiurgo. 


Hoje tenho entre meus dedos uma chance de finalmente ser um escritor conhecido. Nisso reside o frio, a febre , o temor e jubilo que me perseguem nesses meses. Criarei uma obra prima que perdurará por épocas. Como? Introduzirei trechos de minha autoria nas partes das cópias deixadas em branco ou que nitidamente faltam pedaços que dariam sentido ao texto. Assim criarei uma lógica que dará coerência aos fragmentos. A maioria terá que concordar entre si. Não me importa se meu nome não estará na autoria, mas sim a própria obra. Tenho exatamente dois meses e 10 dias para dá ordem ao caos e colocar meu nome entre os imortais. 


Após uma longa jornada, onde escrevi noites afinco, poderei enviar as cópias alteradas. Demorarei, Alegarei que as estradas estão em péssimas condições no inverno ou que os bibliotecários demoraram para reunir tantos fragmentos espalhados.


Escrevo agora ao Sir Richard Burton:

“Sir Richard Burton,
Envio-lhe as cópias dos manuscritos em sânscritos do livro do sábio Vatsyayana conforme o solicitado.  Espero que o livro do sábio Vatsyayana possa ser lido com afinco e sucesso pelos ingleses”

Chaulukia Visalmagor

Chefe dos Correios da Índia Britânica  

Epilogo 
O conto é baseado na correção feita por Sir Richard Burton para o Kama Sutra de Vatsyayana, em que ele tinha em mãos cópias deterioradas. Para a tradução considerou então os trechos em que a maioria das cópias concordavam entre si. Criei um personagem no caso um chefe dos correios que além do hábito de abri cartas alheias quer ser escritor. Confesso que é impossível chegar nesse personagem.Tenho que comunicar os leitores: É tudo mentira.   




RVC 
Rio, deus Castanho.

Olhar Vatiano

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