22 de dez de 2012

Pássaro passadiço



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Quando me descobri passado 
eram as horas castanhas

As pálpebras amarelas.
Era então;
EU pássaro passadiço
num verão. 

RVC
Rio, deus Castanho.

26 de out de 2012

Três anos de Livro Blog

Viva tudo que é sincero e livre!  Três anos e o  Livro Blog tá ai. Mesmo que as fogueiras para os livros digitais sejam acessas não vai adiantar nada porque é impossível queimar  algo virtual ( Viu?). Quando lançado, ou melhor, disponibilizado on line o Livro Blog  foi alvo de furiosos ataques de conservadores, revolucionários e também dos que ficam em  cima do muro. Por que?

Por que ele afronta as editoras ao quebrar a mediação que essas fazem entre leitor e autor? Por que literatura é semente crítica e deve ser disponibilizada para todos 0800? Por que a cultura ainda não sabe lidar com os novos suportes, tão pouco com um tipo de escritor surgido com eles? 

Deixo o blábláblá retórico de lado, o leitor tem aqui uma versão em PDF do Livro Blog que já foi lido em quatro continentes . É um presente para os leitores e uma afronta para os chatos. Para os que o lerão boa leitura. Para os que o querem jogar na fogueira, agora, é só imprimir e tacar fogo!

Baixe aqui o Livro Blog



RVC
Rio, deus Castanho.

26 de ago de 2012

O leitor, o furtador


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                                         O leitor ladramente furta com oolhos
                                                        o autor
                                                          quando o lê.
                                                           Adentrar mentes lhe é o seu vago ser.
             Lê Borges é roubar Borges.
                                                        a mente  ladrada é
                                       lida, relida e ,antes de tudo, vista.

 RVC

Rio, deus Castanho.

20 de ago de 2012

Barraco off neguinha

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Lá, no meu chão, os cabelos castanhos e estrangeiros a mim ainda moram.
O fora remoça os retornos do porvir.
Quando re-ver os fios acastanhados
Porvirá, cá no meu chão, a dona
Dos cabelos castanhos.

RVC
Rio, deus Castanho.

14 de ago de 2012

Eu atelier



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Eu sou meu atelier.
Ateliar-se   me é um estado
vago passante.
como vago é o fingir ser
RVC

Rio, deus Castanho.

6 de ago de 2012

Apineia solidária




Quão vão e fundo
É-nos o labirinto, a cidade,
O poço do fundo...
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Lá, naquele pequeno geométrico,
Meus pulmões morrem o ar e
Vivem a água .
Viver o molhado d’água
Ou de útero materno
Deve ser bom, como bom é
Não se afoga só num mar
De maresias salgadas de
Um padecer. Gosto do sal
Que há em corpos alineados
Pelo estar que é um estar
Que édela.
Gosto das coisas não
Por está elas, mas sim
Por afetua-me  elas.



RVC



Rio, deus Castanho.

31 de jul de 2012

L a morta I


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Ando incabível no pequeno quarto.
O velho cigarro de planta e barro,
                                                  a lira de Azevedo e os sons coetâneos
                                                  acompanham o vagar dum monótono
                                                   e constante estar de min.
Nadificante, dou pernas ás vontades
e me acabo em frente às telas
em diálogos inacabáveis...
                                                Quem morre? Eu ou elas?    
                                                 Não importa!
                                                 o importante está lá, no vazio
do zero sem elas, sem celas!
As cortinas da noite ainda caem
Sobre meus sonos e vacilos...
                                                Hoje dormirei mais seco ou cedo.

RVC



Rio, deus Castanho.

23 de jul de 2012

O Destinador


“O mais vivo pensamento é ainda inferior á mais embotada das sensações”

David Hume, investigações sobre o entendimento humano; seção II  



Rafael Caetano

Em poucos momentos ele irá partir. Imago deixará ficar dali apenas uma lembrança que logo se suicidará. O vivido ficará em alguns dias para trás. Algo aos poucos morrerá nele como  o destino certo do ponteiro para frente.
Encontrará Dono. Esse é o seu último encontro naquele lugar, seus pés pesam como se arrastassem jumbo ou correntes. Demorou mais do que o habitual para chegar onde Dono recebia. 
 Todos aqueles fragmentos de vida, pequenos momentos experiênciados ali lhe serviriam para quê? A perda, lesão ou desfalque é, agora, o seu corpo. Quer cobrar sua dívida, mas quem pagará o justo valor do seu dano?
Entra na sala ampla onde habita o silêncio e um velho que fuma seus minutos de vida. Algo ali parece querer espirar. Ele não sabe se os cabelos brancos ou o tempo em cada ruga do homem, que o espera, fugirá dali sem o avisar.  
Senta na cadeira mais baixa destinada pelo velho para as visitas. As janelas fechadas impedem que a fumaça se dissipe. Ele aprisiona tudo. Pensa Imago.
Rafael Caetano
                                                                                                                                                                             
Dono — Então vai partir?    
Imago — Sim. Não vejo a hora de poder ir ate’ onde a minha vontade me levar. 
Dono — Pensa assim? 
Imago — O que poderia me levar a não pensar assim?
Dono — Será útil se fizer aquilo que te falamos. Agora pode ir. Tenho outras coisas para fazer.
Imago — Serei útil?   
Dono — Tome esse papel e pode ir, tenha um bom dia.
Imago — Te fiz uma pergunta...
Dono — Olha aqui seu fedelho eu analisei a soma dos fatos, das causas e das conseqüências dos seus atos e eles me levam a conclusão que se seguir cada orientação que te ensinamos corretamente funcionará bem para nós. Agora tchau.   
Imago — Mas e se algum cálculo seu estiver errado?
Dono — Então não existe.
Imago — Mas como? Olha? Estou aqui!
Dono — Não importa. Você pode ser apenas um erro, um falso problema que a linguagem usada de forma equivocada criou. Agora saia estar atrapalhando o uso do meu conhecimento pelos outros.
Imago — Como pode querer que outro defina o que serei pela minha utilidade ou função?
Dono — Olha rapaz isso aqui não é crendice ou achismo, mas sim uma ciência que pela sua utilidade para as pessoas nos últimos anos tem seu respeito; então aceite o que lhe dizermos e saia da minha frente.
Imago — Deveria acreditar nisso porque outros acreditam?
Dono — Ora!  Isto não é uma pergunta. Queira se retirar ou terei de usar da força física para que o senhor aceite o que falarmos.
Imago — Veremos.
Rafael Caetano
                                                                                                                                                                             
Saiu. Imago paralisa o corpo diante da planície  em que os manadas de homens passam em alta velocidade. Um intervalo é o seu corpo. Pula na frente da primeira manada que o atropela. Esse não era o destino que Dono escrevera para ele no papel , agora, caído no asfalto.
RVC
Rio, deus castanho.     

                



   





15 de jul de 2012

quAndo a rua pede

Ensaio monadológico pautado no acaso imediato passante.  




quAndo a rua pede o andar se faz imagem.... 




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quAndo a rua pede, algo observa o ainda não olvel...




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RVC

Rio, deus Castanho.

10 de jul de 2012

Tomu Junto!



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Foto de Rafael Caetano 




Um dos novos talentos promissores do teatro concede uma entrevista para esse periódico sem nome, sem dono, hediondo mais cheio de assunto e interessantíssimo.


Quando me falaram (ou mandaram) para escrever uma entrevista com um artista jovem da PUC pensei em Jesus. Não que esse repórter ou ex-repórter – tão cético quanto os torcedores do Vasco no brasileirão– tenha se convertido. Jesus para mim sempre foi um cara que eu encontrava pelos becos e ruas da Rocinha ou pelos Pilotis com um ar de humildade, um sorriso e seus óculos de John Lennon; e não Lucas Valentim. 

  Então como esse repórter ou ex-repórter poderá quebrar esse paradigma da imagem de Jesus? Começo com o óbvio e não ululante. Com a Biografia de Jesus, que dizer Lucas Valentim.



Lucas Valentim é ator e estudante de Artes Cênicas da PUC – Rio. Com apenas 10 anos entrou no grupo de teatro Nós do Morro, onde estudou e trabalhou por dez anos. Possui um trabalho de 12 anos como Jesus na Via Sacra da Rocinha (sacou porque ele é Jesus), maior espetáculo a céu aberto da América Latina, pelo qual foi indicado ao prêmio de Cultura do Estado em 2009. Como ator já trabalhou em espetáculos teatrais, tanto em teatro convencional como em teatro de rua, performances e leituras dramatizadas. Teve a oportunidade de estudar e trabalhar com importantes diretores como Guti Fraga, Miriam Pérsia, Miwa Yanagzawa, Moacir Chaves e Caique Botkay. 



Os trabalhos sociais também tem fôlego na vida do ator com oficinas de teatro, seja como professor ou assistente, tendo trabalhado em escolas públicas, em comunidades do Rio e também com menores de rua. Sua última oficina foi um projeto pelo qual teve apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, onde pode desenvolver oficinas de teatro com adultos moradores da comunidade da Rocinha.



 Atualmente o ator está em intercâmbio acadêmico, onde cursa matérias de Cinema na Universidad Nacional de Colômbia, em Bogotá. Na Colômbia ele morou um mês no Teatro Varasanta, onde teve a oportunidade de conhecer e estudar com Fernando Montes, diretor do teatro e conhecido por ter trabalhado com o diretor teatral Jergy Grotowski na Fundação Pontedera na Italia. Por isso ele me concedeu essa entrevista por e-mail, e também por isso demorei uma semana além do prazo para entregar essa entrevista que, agora, o leitor tem em mãos. 



Lucas você foi durante muito tempo o Jesus da Via-sacra da Rocinha, como é isso? O Jesus da Via Sacra da Rocinha é um personagem que pude trabalhar durante 10 anos. Sendo assim, comecei a trabalhar como Jesus aos 13 anos, uma criança ainda. Ou seja, passei da infância pela adolescência até o começo de minha vida adulta com esse personagem. 



Conta para agente como era fazer o mesmo personagem durante anos? 




Com Jesus eu pude me conhecer melhor, ter dimensão de capacidades minhas como ator e artista de teatro e também como ser humano. É difícil de explicar, mas à medida que os anos foram passando e eu fui experimentando realizar o espetáculo de formas diferentes eu pude experimentar diversos tipos de Jesus que, na maioria das vezes, tinham relação com minha condição artística, física, estética, intelectual do momento. Alêm de o espetáculo ser de rua e itinerante, ele é realizado na comunidade da Rocinha, um lugar que possui vida 24 horas por dia. Ou seja, um ator para realizar um trabalho deste necessita despojar-se de vaidades e de situações pré-combinadas nos ensaios e estar um pouco a margem, aberto ao acaso, proposto a trocar energias das mais diversas com os outros atores e com o público, que pode estar ali por ter ido assistir ao espetáculo ou simplesmente passando na rua, na janela de casa, tomando cerveja ou batendo um papo. Essa energia de viver o Jesus nesse espetáculo é única, não tem igual, muita adrenalina junta. 

Como é a interação com o público? 



Posso dizer que tem um “que” de realidade no espetáculo que mexe muito comigo, o público se emociona, fala conosco, interage, participa da cena e depois continua o resto do ano te chamando pelo nome do personagem e se sentindo feliz, isso é muito bom. Eu falei sobre autoestima, e quando toco nesse assunto não falo só sobre mim, mas também dos moradores da Rocinha que, na maioria das vezes, reconhecem o meu trabalho e se sentem felizes da sua comunidade poder ter um dia de artes, teatro, festa. É claro que eu como artista gosto de desafios, de me renovar. Por isso sempre tentei fazer esse personagem multifacetado e não todos os anos estar do mesmo jeito, por isso sinto que existe uma essência que nunca se perde, mas é como se eu tivesse conhecido, pesquisado e vivido um Jesus diferente a cada ano.
Em 2011 você ganhou patrocínio e ao invés de fazer algo que divulgava só o seu trabalho, você foi ensinar teatro para o povo da Rocinha. Pra você o teatro tem uma função social?
“ Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade; é aquele que a transforma” São essas sábias palavras de Augusto Boal que me fazem pensar muito sobre isso que me pergunta. Pra mim não tem como não juntar uma coisa com outra. Eu por exemplo tinha vontade de fazer teatro desde os três anos de idade, mas minha mãe não tinha o dinheiro para pagar um curso e nem a cultura de compreender porque eu queria fazer isso. Naquela época não era como hoje em dia, cheio de ONG’s, cursinhos em escola e tudo o mais.  Alguns anos depois eu comecei a fazer teatro no Núcleo de Artes do CIEP do Cantagalo, ficando lá por dois anos. Depois eu fui estudar teatro no Nós do Morro. 


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Foto de Rafael  Caetano 

Qual a importância do Nós do Morro nessa sua trajetória?



Foi graças a esse projeto, do Guti Fraga, que eu tive a oportunidade de começar a estudar teatro aos 10 anos de idade. Foi no Nós do Morro também que eu comecei a compreender melhor como se desenvolve o fazer teatral, e onde pude ter meus primeiros trabalhos profissionais. Como já mencionei, aos treze anos comecei a trabalhar como Jesus e fiquei por 10 anos. Hoje em dia a maioria das coisas que tenho, cursos de língua, faculdade, intercâmbio acadêmico, são através de projetos, de bolsas de estudo. Ou seja, eu vejo que devem existir muitas crianças como eu, em comunidades do Rio de Janeiro, que possuem o sonho de estudar artes, assim como existem muito adultos que tinham vontade, mas não tiveram essa oportunidade por viver numa realidade muito dura. È essa realidade que me fez e me faz pensar em trabalhos sociais. Poxa, eu venho dessa mesma realidade, não tem como não pensar nisso como não querer agir nesse campo com oque eu estudo, com o que estou me profissionalizando.

Você pensa que a formação do ator hoje está melhorando ou você acha que ainda falta muito para o Brasil ter uma escola de teatro de alto nível pra quem quer se formar?


Olha, eu penso que hoje em dia existem muitas escolas, de todos os tipos e para variadas pessoas, com variadas realidades sociais, poderem estudar e se aperfeiçoar. Poder ter opções de cursos é muito bom, porque você pode escolher em quê se aperfeiçoar, se quer dirigir, escrever, atuar, ser professor. Atualmente a CAL ( Casa das Artes de Laranjeiras) também é faculdade,  e recentemente a PUC ( Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) possui um curso de Artes Cênicas, pelo qual estudo. O curso da PUC, por exemplo, é uma opção muito boa pra mim, que não quero simplesmente fazer escola de interpretação. Esse curso possui aulas de áreas das mais variadas como Antropologia, Cinema, Letras... Disso eu gosto muito e por isso resolvi prestas vestibular para a PUC. 

E a universidade é fundamental para formar o ator? 



Na verdade eu acho que uma pessoa que é artista não precisa necessariamente passar por uma universidade, mas também penso que hoje em dia, a nossa geração tá aí pra mudar isso, pra ser um artista mais consciente e pra deixar a universidade menos quadrada e careta.
Na zona Sul do Rio há muito espaços culturais onde artistas desenvolvem trabalhos. Como é isso na Rocinha? 


Infelizmente a Rocinha, enorme do jeito que é, não possui ainda espaços culturais como cinema e teatro. Atualmente estou sabendo da inauguração de espaços culturais na comunidade, porém estou morando fora do Brasil há cinco meses e não tive a oportunidade de conhecer esses espaços de perto. . Porém, é uma tristeza uma comunidade tão grande e tão conhecida possuir pouquíssima, quase nenhuma, infraestrutura pra projetos artísticos.
Você carregou até entulho para ter um lugar pra ensinar é verdade essa história?
Então, nesse meu projeto de Oficinas de Teatro na Rocinha, em 2011, eu tive um apoio financeiro da Secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.  Acontece que o apoio não cobria todas as despesas e eu tive que bater de porta em porta pedindo auxílios, espaços onde pudesse realizar minha oficina. Voltando ao assunto da minha oficina. Eu consegui uma parceria com o Centro Comunitário da Rua 2, para poder usar algumas salas do espaço para as aulas e apresentação final. Acontece que infelizmente o espaço não tinha toda a infraestrutura necessária e as vezes, na maioria das vezes, eu tinha que improvisar soluções para não suspender um dia de trabalho. Esse caso que você se refere foi no primeiro dia de aula; Eu tinha a chave para abrir a sala, que eu ainda não conhecia. Quando chego lá a sala estava cheia de entulho e eu tinha meia hora para iniciar o trabalho com os alunos. Não tive escolha, tive de arregaçar as mangas e levar o entulho para uma outra sala no primeiro andar. Essa situação foi até divertida e me fez conhecer melhor as pessoas da oficina e rimos um pouco disso tudo



Como é a recepção do mundo do teatro com um cara que é pesquisador, articulado e tem consciência critica do talento como você? Você acha se fosse de Ipanema seria mais fácil ?



Olha cara agente sabe que quando você tem uma posição social melhor, uma vida financeira mais estável, tudo é mais fácil. Acontece que a nossa geração pode escolher mudar isso. Hoje em dia um morador do subúrbio ou de uma favela, um filho de empregada doméstica, pode estudar na PUC, uma das universidades mais caras do Rio de Janeiro. Meus irmãos não tiveram estudos e na época deles não era como na nossa, onde podemos batalhar para ter uma profissão melhor, um diploma. A PUC, por exemplo, conta com projetos sociais variados, onde os alunos bolsistas com menos condições financeiras podem pedir auxílios dos mais variados, como passagem de ônibos, almoços, material didático, e etc... Então, pensando nesse lado, eu me considero um batalhador e com muita sorte. Posso sim ter nascido e me criado na Rocinha, mas isso não me limita a não poder ter um bom nível escolar, não poder estudar e me aperfeiçoar para poder trabalhar na profissão que eu sempre quis. Eu acho que preconceito existe sim e não tem como não existir. 


A sua arte já sofreu preconceito por você ser favelado? 



O que acontece comigo geralmente é que as pessoas me conhecem sabem que eu trabalho com isso ou com aquilo, que estudo na PUC (até aí tudo tranquilo) mas quando eu falo que moro na Rocinha as pessoas se assustam. Na verdade eu até gosto disso. As pessoas têm que se assustar mesmo e expandirem um pouco a visão, porque na favela não existe só analfabetos e pessoas envolvidas com tráfico, somo muitos estudantes universitários, artistas, pessoas inteligentes que tem muito pra dizer e mostrar. È claro que eu também não me encaixo muito bem num estereótipo de morador de favela que as pessoas criam, não sou negro, por exemplo, e não falo errado, isso cria mais confusão ainda na cabeça de algumas pessoas. Sinto que as vezes é como se eu fosse um pouco exótico; Você mora na Rocinha, mas porque? (risos generalizados)



A favela estaria propondo outro tipo de teatro?



Eu acredito que hoje em dia se possui outro olhar, as vezes muito romântico,  para as favelas cariocas.  Percebo que as telenovelas, o cinema e o teatro estão falando mais da favela, colocando-a em maior evidência. Considero isso um impacto construtivo e fortalecedor para a sociedade. Iniciativas como O Nós do Morro são muito importantes não só para dar oportunidades de estudo e trabalho, mas também para colocar o morro em foco, não deixa-lo á margem da sociedade.  Recentemente pude conhecer o trabalho da Cia. Marginal, do complexo da Maré, na qual uma amiga minha trabalha. Achei muito bom o trabalho deles, como falam de suas realidades, sem cliché e com uma qualidade artística indiscutível na minha opinião. cCreio que estes trabalhos que possuem uma origem vinculada aos próprios moradores do local tem uma força, uma verdade e uma importância muito positivas, acredito que assim é uma boa forma de quebrar preconceitos e alcançarmos um lugar mais digno na sociedade. Digo nós porque seja o morador da baixada, da Rocinha, da favela, estamos todos na mesma. Tamu junto! (risos, muitos risos generalizados).

Rio de Janeiro, outono de 2012 



Rio, deus Castanho.

2 de jul de 2012

A pequena Máquina de furtar imagens





A ideia é velha ( mas qual não é já que toda ideia já morou em outro lugar que não esse chão que, agora, pisa) e a máquina fotográfica nova. Andar por ai e capturar com os olhos é normal. Andar por ai e furtar imagens não. Daí surge o ensaio A pequena máquina de furtar imagens  que você confere aqui. As imagens foram feitas com  uma DC866 F3.1 F=9.3mm  portátil o que permitiu ao fotógrafo furtar mais imagens e perverter a questão da autoria das imagens.   


RVC
Rio, deus Castanho.

25 de jun de 2012

Fotos dum mural

O fotógrafo Rafael Caetano disponibiliza suas fotos aqui . São várias fotos que apresentam momentos distintos de seu trajeto como fotógrafo.


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Rio, deus Castanho.

18 de jun de 2012

Alto na superfície da laje

Rafael Caetano

Lajeado assenta,
Vontade trajeta,
Furar a superfície do agora
deitado nela.
men-se vermelho e dor
O sabor e o calor.  

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Rio, deus Castanho.

12 de jun de 2012

ART ( e)- mis - Favela após a sweet- he ART


Agora a imaginação a desenha
Hibrida
Areia, ariela duma ilhotação              
Grande
Como grande são os quereres .
O depois a romper  eterna
Tal
Qual constelação  moradora da sexta.
Noites becosas, beco poemado
Apertado como o espaço entre os dois  As da palavra
Saudade


RVC
Rio, deus Castanho.

4 de jun de 2012

28 de mai de 2012

Bula andarilus poetics


 

rafaelvatecaetano.blogspot.com todos os direitos reservados
Visitar lugares: dor, amor,  medo, loucura e desejo três vezes ao dia.
Evitar casa ou abrigo onde possa se abrigar das intempéries dos acontecimentos. 
 Apenas gazear por ali sempre em doses homeopáticas.
Cada passo, pisada, vício e vacilo deve ser na superfície.
Evitar o profundo e negar as alturas.
Permitir a enchente nos olhos entre teus estranhos e aqueles conhecidos já esquecidos.
Ser um poeta, SER UM visitador.


RVC

Rio, deus Castanho.

21 de mai de 2012

Série: falações sobre um inverno porvir III






O verbor(t)rágico  principia o ainda incriável criado.
Falar-se (r), desfalar-se (r).
Escrever-se (r), descrever-se (r)
Literatizar mundos com bocas e mãos,
desnomear o nomeavél.


RVC

Rio, deus Castanho.

14 de mai de 2012

Série: falações sobre um inverno porvir II



Esquizo poemas, poemas esquizos,
Há muitas vozes no pra fora da fissura. Basta ir além de si-aqui.
Não ser nenhuma voz e habitar uma fala   doméstica.
                                   

Comer um corpo poetado.     

RVC

Rio, deus Castanho.

10 de mai de 2012

Série: falações sobre um inverno porvir I



Para re(con)ceber um amigo (re)vindo
Faltavam as ficções entre as mentiras libertas
Dum amigo (re)vindo .
Um dia de trabalho
Ou
38
Servidões compraram as ficções, servidas.
As as seis e o café  Borges se mudou para a minha a biblioteca.

RVC

Rio, deus Castanho.

3 de fev de 2012

Mocotó de gente

"E, se o homem foi uma maneira de aprisionar a vida, não será necessário que, sob uma outra forma, a vida se libere do próprio homem ?"
Gilles Deleuze, Conversações.


Foto de Rafael Caetano



O facão corta a panturrilha do sujeito. O pedaço do corpo desmembrado rola pelo chão como carne em açougue. Um pouco de sangue respinga no rosto do açougueiro. Limpa o sangue com a manga da camisa de marca. Com a grana que ganhar pago a dívida e compro outra melhor. Esse filho da puta até pra morrer deu trabalho...  Comedia medido a pegador. Vamos logo porra; esse troço tá fedendo.

Não via a hora de acabar. O matador pequeno com um machado na mão fuma um cigarro olhando o matador de uns dois metros cortando como mocotó ossos. Com golpes certeiros de facão e machado o que era homem vira mocotó.

Tá bom chega. Vamos logo com isso que esse Zé galinha ladrão de mulher do zoto... Tá bom cara chega de lembrar. Ok. Fala o matador pequeno suando muito. Fuma com foracidade. Só mais uns corte para poder caber no saco... E a fala é interrompida pelo bater da lamina afiada em pedra na junta de algum osso.


Cara pega o saco de lixo. O matador pequeno vai até o lado de fora do barracão. Bate a porta com força como quem deixa transparecer nos sons emitidos a sua raiva do mundo.
Os sons dos golpes de facão no mocotó são ouvidos do lado de fora do barracão. Uma, duas, três, quatro, cinco... E outros muitos golpes são dados pelo matador de uns dois metros dentro do barracão e ouvidos pelo matador pequeno do lado de fora.


Maldito tinha que ser morto num sábado à noite? Vai com suas pequenas mãos vasculhando o entulho do lado de fora do barracão. Está escuro e os olhos ali apanham feio. Toca algo. Esse dá. Volta para dentro.

Entra e bate a porta com a sua irritação costumeira. Vê o matador de uns dois metros despejar diversos golpes no já despedaçado morto. Para! Vamos colocar dentro do saco.
O matador de uns dois metros olha seu companheiro de oficio e limpa o sangue nos braços e rosto com a camisa de marca que usa. Sujou minha camisa esse filho da puta metido a garanhão... Vamos logo com isso cara! As quatro mãos trabalham com a agilidade do nojo provocado pelos pedaços de nefandade tocados.

Em instantes o saco fica cheio de pedaços de mocotó de gente. Vamos enterrar isso. Ordena ou solicita o nojo presente ali.

Saem do barracão posto na solidão desértica necessária aos crimes. Todo o caminho é de barro. Barro molhado pela chuva que cai pouco a pouco. Um deslizar dos pés é o inimigo de quem por ali passa. Passa o matador pequeno que fuma para aliviar a irritação com o mundo. O acompanha o homem de quase dois metros. Ele carrega o saco cheio de mocotó de gente, anda trôpego e resmunga algo incompreensível.


O Caminho barrento e incline é vencido com silencio de quem trabalha para o fim chegar logo. Caminham. O matador de uns dois metros interrompe a caminhada. Toma. E o saco é estendido para o esforço do matador pequeno. Põe o saco cheio de mocotó de gente no ombro direito e segue. Com a mão esquerda segura o machado.

No principio tem a dificuldade que o escuro dá aos olhos. Escorrega ainda umas duas vezes antes de dá os dez primeiros passos no terreno incline e barrento. Quando avista o seu companheiro de oficio vê que ele, já longe, abre caminho com o facão na mata fechada. Resmunga algo. Aqui tá bom. Pará o matador de uns dois metros assim que chega a uma clareira dizendo ser o fim da ladeira subida por eles. O matador pequeno joga o saco cheio de mocotó de gente no chão.


Agora vamos enterra o saco. Como se não tem pá? Você não trouxe a pá? Não. Idiota! Sempre pagamos por sua burrice se deixamos isto aqui vão descobrir e... O desespero da consciência criminosa aflora na voz do matador de uns dois metros que se agita de um lado para o outro.
Acalma! São apenas cinco mil, vamos deixar aqui. Acende um cigarro como para dizer que tudo ficaria bem, afinal o mocotó de gente dentro do saco não sairia dali. Continua em tom de deboche: e afinal o cara assim não comerá sua mulher.

 O soco é dado bem no queixo e o cigarro torto na boca do matador pequeno aponta na direção contraria ao machado caído no chão. Veado! Filho da puta é por causa do seu vício que tomo nessa. Nada; tu também deve grana pro cara que eu sei... E tem mais todo mundo sabe que tu ainda tá devendo aquele desfalque no caixa da firma. O outro revida: ele se fudeu porque tua mulher é uma vadia memo...

O golpe na perna direita do matador de dois metros o faz calar. Avançar com o facão em direção ao oponente. Trocam golpes na escuridão da noite.
Dois assassinos brigam na vastidão cerca dada pelo escuro. A certeza da vitória esta no toque da arma no corpo inimigo. A provável derrota no sentir o toque da arma alheia na própria pele e no sangue a escorrer e a mistura-se com barro do chão.

Após golpes dados no nada os dois homens exaustos pela briga e ferimentos caem no barro e vivem a hemorragia do abandono. Olham um para ao outro. Espreitam para ver quem morrerá primeiro. Por maldade ou coincidência morrem no mesmo momento, enlameados e sozinhos. O saco cheio de mocotó de gente ainda está ali. Fica por ser enterrado, jogado no chão o mocotó que já foi um homem.


RVC


Rio, deus Castanho.

Olhar Vatiano

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